Alexandre Mignoni | Não sei ao certo como essa estória começou. Acho que foi uma ação trabalhista que deu origem aos acontecimentos. Mas o fato é que ele está lá em Jardim Camburi, perto de onde mora o meu amigo Lhé Léo. Um bonecão desses do Yahoo, aquele parque aquático perto de Manguinhos. O cara ganhou uma ação trabalhista dos donos do negócio e, como parte do pagamento, recebeu o bichano. Não faço a menor idéia da utilidade do artefato, mas o fato é que o sujeito o colocou no quintal de casa. Como ele é maior do que o muro, só da per ver o cabeção dele, com aquelas antenas enormes. Toda vez que passo por lá, fico imaginado que, como o bicho não tem nada pra fazer, ele passa os dias fumando Derby Suave (o cigarro do pedreiro viado) e olhando o movimento. Só ali, na dele, na tranqüilidade. Fumando e flanando.

 

Pode até ser viagem minha, mas realmente ando preocupado com isso, porque acho que ele é o chefe da tramóia. O Yahoo líder do pelotão, o Boss-Hoo. Não sei se vocês já “butaram reparo”, mas, de uns tempos pra cá, danou de aparecer um montão desses bonecos pela cidade. Se for só uma estratégia de marketing, ótimo. Mas ando desconfiado de que pode ter alguma coisa por trás disso. E não sou só eu. Outro dia tacaram fogo num desses monstros. Sinal de que mais alguém já percebeu que eles andam aprontando alguma. Ficam ali paradinhos, só sacando o movimento. Sei não. Muito estranho.

 

Explico. Presta atenção. Observem, primeiro, que eles estão estrategicamente posicionados em todas as entradas e/ou saídas da grande Vitória. Eu disse TODAS. Reta do aeroporto (ninguém no mundo dá endereço assim, só os capixabas). Descida da Terceira Ponte sentido Vila Velha (à sua direita, meio escondido). Ponte de Camburi. Saída da BR-101 indo pra Cachoeiro. Começo da Rodovia do Sol e mais alguns que não me lembro, fora os que já foram removidos.  Não é estranho? Se for só uma forma de divulgação do parque, porque não colocar em outros locais tipo Praça do Papa (bem ao lado da cruz), Praia de Camburi (onde ficava o antigo relógio), Curva da Jurema (bem em cima do Kioske do JB), Praça Oito, Rua Sete, etc. Outro detalhe: todos são Papy Hoo. Porque não tem nenhuma Mamy Hoo, Sister Hoo ou Baby Hoo? Respondo: É só disfarce, estratégia, xiste.

 

Posso até correr o risco de tomar um processo da família Martins (segundo dizem, os donos do Yahoo), mas vou falar o que penso. Eu acho que esses monstros simpáticos querem tomar Vitória de assalto, dominar a cidade! Um belo dia, depois de um feriadão com esse que passou, quando o povo estive retornando… Surpresa!! Os monstrinhos do Yahoo tomaram Vitória! Agora eles são os donos. E não adianta fumacê nem tiro, nem nada. Eles se multiplicam como gremlins e estão fora de controle.

 

Essa é a explicação para aquela pança enorme que cada Papy Hoo ostenta.  Não era chopp, nem cerveja. Cada barrigão daquele estava, na verdade, preenchido por um exército de 830 mil Yahoozinhos. E eles são furiosos. E querem tudo pra eles. Roubaram a bilheteria do ultimo show no Ilha Acústico e Kaed ficou louco.  Criaram a Mica Hoo: a primeira micareta para monstrinhos espaciais. Pulam do vão central da terceira ponte, fazem a cruz do papo de estilingue e atiram panelas de barro nas pessoas, tomaram o palácio Anchieta e a Assembléia Legislativa. Tem Yahoozinho tocando casaca e cantado madalena, madaleeeena!

 

Triste fim de Vitória, a capital do Espírito Santo. Logo agora que acharam por aqui o tal pré-sal. Logo agora que inauguraram aquela ponte bonita lá. Acabar assim… Invadida e dominada por inocentes e aparentemente inofensivos monstrinhos, cuja estratégia de dominação foi desenvolvida e aplicada na nossa cara e ninguém notou.

 

Dá próxima vez que passar por um bichano desses dê uma bela duma olhada pra cara deles. Observe a pança, perceba a expressão de cinismo pos trás da aparente inocência. Você vai perceber que o que acabou de ler faz todo sentido. E antes de me acusar de ter escrito esta crônica sob o efeito de substâncias alucinógenas, digo que nego tudo, mas que vou ao bar do Luka quando em vez. Aliás, acabei de chegar de lá.