Agência Estado | 28.09.2008 Apesar das diferenças significativas de renda e gastos entre as classes C1 e C2, telefone celular, aparelho de DVD e TV são itens com presença obrigatória nos domicílios desses dois estratos da população brasileira. Pesquisa da LatinPanel revela que 81% dos domicílios da classe C1, a classe média mais “rica”, têm celular, apenas dez pontos porcentuais acima do índice registrado pela a classe C2 (71%). O quadro é semelhante no caso do aparelho de DVD, presente em 81% dos domicílios da classe C1 e em 68% na classe C2, uma diferença de 13 pontos porcentuais. Nos televisores, há praticamente um empate: 99% e 98% das casas de classe C1 e C2 têm TV em cores , respectivamente.Segundo o gerente de atendimento da LatinPanel, o economista João Paulo Ferri, as facilidades de crédito explicam a pequena diferença nos indicadores de posse desses bens. Mas a pesquisa mostra que para itens de maior valor e menos essenciais , como automóvel, computador e máquina de lavar roupa, há um hiato entre os indicadores de posse das classes C1 e C2.De acordo com a pesquisa, 42% dos domicílios da classe C1 têm automóvel, ante 16% da classe C2. No caso do microcomputador, a diferença também é significativa: 34% dos domicílios da classe C1 têm o equipamento ante 14% da classe C2. Na máquina de lavar, o diferencial chega a 30 pontos porcentuais: 55% das casas da classe C1 têm o eletrodoméstico, ante 25% da classe C2. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Nova classe média?
Roberto Garcia Simões | A Gazeta | 30/09/2008Nas análises recentes sobre renda baseadas em pesquisas anuais do IBGE, as conclusões convergem para a redução da desigualdade – apesar de elevada, e o aumento do dinheiro domiciliar, em especial no governo Lula. No entanto, em meio a essa convergência nacional, os resultados diferem segundo a “linha de pobreza” adotada, o período histórico considerado, além dos conceitos usados – como o de “classe média”. Uma dessas diferenças manifesta-se na classificação dos Estados. Assim como o ES aparece no estudo “Miséria e a Nova Classe Média na Década da Igualdade”, feito pela FGV/Centro de Políticas Sociais? Tomei 3 indicadores de renda, as respectivas posições em 2007 e a variação 2007/2002.1. “A Nova Classe Média”. Identificada à classe C – entre a “elite” (A e B) e as classes “remediada” (D) e “pobre” (E), a renda domiciliar mensal da “nova classe média” fica entre R$ 1.064 e R$ 4.591. No ES, ela abrange pouco mais da metade da população estadual (50,07%), correspondendo à 8ª posição no Brasil. O maior percentual – 67,4% – é o de SC, e o menor – 26,87% – encontra-se em AL. Contudo, basta a caracterização “econômica” da classe média? Para o prof. Cláudio Dedecca (Unicamp), o conceito sociológico de classe média “inclui trabalhos que exigem curso superior, conjunto de bens”. Os “emergentes” não satisfazem todos os atributos clássicos da “classe média”. Para o economista Marcelo Néri (FGV), “A volta da carteira de trabalho talvez seja o elemento mais representativo de ressurgimento da centralidade da classe média”. Além desse fator, o economista Néri, criador da correspondência classe C – “nova classe média”, amplia os atributos dessa classe em seus estudos. O debate prossegue.2. Miseráveis. Com renda per capita inferior a R$ 135 reais, o ES, em 2007, tinha a 9ª menor proporção de miseráveis entre os Estados: 14,07%. Mais uma vez, SC está em primeiro lugar, com 3,67% de miseráveis; no último, o MA, com 38,3%. No período, 2007/2002, a maior redução da miséria, segundo o referido estudo da FGV, ocorreu em SC: 16,29%. Com menos 11,12% miseráveis, o ES ficou em 5° lugar.3. Renda domiciliar per capita. Com o valor de R$ 525,45 (2007), essa renda no ES equivale à 9ª maior do país. No século 21, o menor valor no ES se deu em 2003: R$ 411,98 – abaixo do referente a 2002: R$ 452,2. Fica evidente que a definição do período histórico é muito importante, pois influencia resultados e classificações dos Estados. No âmbito nacional, as duas primeiras foram as do DF: R$ 1.095,11, e de SP: R$ 695,37; a menor renda domiciliar per capita foi a do MA: R$ 262,94.
Quando se decompõe a renda domiciliar per capita, o trabalho no ES respondeu por 76% do valor total: R$ 398,76 – a 11ª maior entre os Estados. Os maiores valores da renda do trabalho também estavam no DF e SP, e o menor, no MA. Dois Estados ultrapassam o ES quando se comparam as posições na renda total e na do trabalho: AC e MT. A segunda maior contribuição para a renda domiciliar advém da previdência social. Depois, somam-se as transferências de renda.
O que explica a ascensão social, a redução dos miseráveis e a valorização da renda domiciliar per capita? O entrelaçamento entre os aumentos do trabalho formal, do salário mínimo e de programas sociais de renda.
Roberto Garcia Simões, professor da Ufes, Universidade Federal do Espírito Santo, escreve às terças-feiras em A Gazeta. e-mail: robertog@npd.ufes.br