Um marqueteiro, um cirurgião, um jornalista, uma cabeleireira, um ministro e o presidente Lula são os responsáveis pela repaginação da ministra Dilma rousseff com vistas a 2010.

IstoÉ | 18/1/2009 | Rudolfo Lago e Sérgio Pardellas

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O rosto mais sereno, de olhos mais abertos e boca bem desenhada, resultado de uma cirurgia plástica a que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff , submeteu-se no final do ano passado em Porto Alegre, foi apresentado ao País pela primeira vez na segunda-feira 12. A mudança no visual é parte de uma estratégia bem planejada com um único propósito: o de conferir a Dilma um perfil menos sisudo e mais simpático e ser a embalagem que faltava para transformar a até então mera técnica competente no principal nome para disputar, como candidata do governo, a eleição presidencial em 2010. Para avaliar junto ao eleitorado a repercussão das mudanças estéticas da ministra, o Palácio do Planalto encomendou uma pesquisa qualitativa. Foi montado um grupo heterogêneo, de pessoas de diferentes classes sociais, para opinar sobre a nova Dilma Rousseff , que apareceu pela primeira vez em São Paulo, na abertura da Couromoda. Sem os antigos óculos de aros redondos, revelaram-se olhos menos pesados e mais abertos, depois de uma correção cirúrgica nas pálpebras. As antigas rugas que vincavam o rosto de Dilma desapareceram, e ela ganhou um novo nariz, levemente arrebitado. Os cabelos, outrora curtos e castanho-escuros, ganharam um tom avermelhado mais claro e uma ligeira franja que esconde parte da testa. O resultado final pode ser resumido em uma palavra: suavidade.

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O embrulho que hoje embala a ministra da Casa Civil é resultado de um processo ocorrido em etapas desde o final de 2007, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a ventilar a ideia de que Dilma poderia ser a sua sucessora. A menos de dois anos das eleições presidenciais, a equipe responsável pelas transformações de Dilma é formada por seis integrantes: o marqueteiro João Santana, o jornalista Laurez Cerqueira, a cabeleireira Tian, o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, o cirurgião Sérgio Panizzon e o próprio presidente Lula, como conselheiro informal. Hoje, o principal nome é o marqueteiro João Santana. É ele quem está por trás da maior parte das mudanças experimentadas por Dilma. Santana começou a trabalhar a partir de uma orientação vinda do próprio Lula. É do presidente a percepção inicial de que a imagem de Dilma precisava ser suavizada. Foi ele quem primeiro disse isso a ela. E coube a Santana concretizar a ideia em termos práticos.

Lula partiu de sua própria experiência. Ele mesmo só conseguiu elegerse presidente depois que amenizou o seu aspecto de líder sindical raivoso. O candidato à Presidência em 1989 não se preocupava com a longa barba negra desgrenhada nem com os paletós mal cortados. Ria pouco e usava um tom de voz agressivo. A construção do personagem “Lulinha Paz e Amor” em 2002 não se limitou à adoção de um discurso menos radical e a mais sorrisos. Levou em conta aparar a barba, adotar um corte de cabelo mais moderno e começar a usar ternos feitos por estilistas como Ricardo Almeida. É esse o processo que agora busca transformar “Dilmão” – o apelido que a ministra da Casa Civil tem no governo – em “Dilminha”.

Logo na primeira vez que Lula falou a Dilma sobre a hipótese de torná-la candidata à Presidência, ainda em 2007, ele mencionou a necessidade de ela amenizar a sua imagem. “Dilma, você precisa perder essa cara de escritório”, aconselhou. Pessoalmente, Dilma não é das pessoas pessoas mais vaidosas. E, até então, ela não tinha precisado vincular sua carreira às subjetividades que atraem ou não a simpatia do eleitorado. Como técnica, ministra, bastava a ela ser competente no que fazia. Coube a Santana começar a eliminar concretamente a “cara de escritório” de Dilma. O processo deuse em etapas pela própria resistência de Dilma em admitir as mudanças. E, na verdade, iniciou- se mais por uma questão de saúde do que propriamente por uma preocupação estética ou política. Em outubro de 2007, Dilma teve uma diverticulite, uma inflamação no intestino. Viu-se obrigada a fazer uma dieta cortando alimentos gordurosos e condimentados. Juntou-se, então, a necessidade ao projeto político: como precisava fazer a dieta, aceitou emagrecer. Passou a se submeter também a aulas de Pilates e virou o ano de 2008 com 12 quilos a menos. 

O segundo passo na transformação foi aceitar trocar os terninhos escuros que usava, geralmente marrons, por outros de tons mais claros e leves, estampados, com temas floridos. Santana também é o responsável pelos conselhos que produziram essa mudança. Ultimamente, somou-se a Santana como consultor para a imagem de Dilma o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. Com a experiência que adquiriu durante anos como repórter e comentarista político na televisão, Franklin costuma dizer a Dilma o que fica melhor no vídeo e dar dicas sobre a sua postura e modo de falar.

Quanto ao discurso, desde meados do ano passado, Dilma incorporou à sua equipe o escritor e jornalista Laurez Cerqueira. Ele é encarregado de tornar mais palatáveis os discursos de Dilma. Antes, era ela mesma quem os escrevia. Eram muito técnicos e cheios de números. Dilma usava sempre o PowerPoint, o programa de computador utilizado em palestras, quase como uma muleta. Lula pessoalmente detesta esse recurso. Acha que torna tudo enfadonho e com cara de reunião de executivos. Cerqueira desidratou os discursos de números e dados técnicos e politizou-os.