Andréas Hermann Colaboração: Roberta Ruschi

Hoje ao chegar ao trabalho um de meus Gestores veio comentar que estava com problemas em sua área de trabalho. Uma de suas colaboradoras estava sempre de mau humor nos últimos dias e o clima não estava legal, estava afetando a todos… Você, meu querido leitor, quantas vezes já passou por situação idêntica? O que fez para contornar o problema e principalmente, o que pensou em fazer para que tal fato pudesse não mais comprometer o bom andamento dos trabalhos da sua Empresa? Com certeza este desconforto faz com que a produtividade caia e a insatisfação aumente…

Parei para pensar e percebi o quanto é importante cuidarmos do “humor” das pessoas com quem convivemos… quer seja na vida pessoal e na vida profissional. Ou talvez seja melhor dizer que “temos mesmo é de cuidar do humor do nosso trabalho, da nossa Empresa!!!”

Qual o profissional que tem a fórmula para curar esta “dor”? Cada Gestor ou simplesmente jogamos a “batata quente” pra cima da área de Recursos Humanos, o que, diga-se de passagem, é bem fácil e confortável.

 

Mas estamos falando de um desequilíbrio pontual, momentâneo, e que está acontecendo ao nosso lado com um de nossos colaboradores diretos. Portanto, porque não dar o primeiro passo? É claro que os Gestores devem estar preparados para isto. O que se vê hoje é simplesmente ignorar o problema ou até aqueles que chegam ao extremo, indicando o caminho de casa para o colaborador “esfriar” a cabeça e retornar melhor no dia seguinte. Parece simples. Mas e a causa do problema, da insatisfação, não vamos investigá-la para poder ajudar?

 Mas meu leitor, perceba e reflita: tudo o que acontece de forma espontânea e equilibrada traz bons resultados em relação ao clima organizacional. Trabalhar com uma equipe de colaboradores bem-humorada é sempre motivo de satisfação e aumento da permanência no trabalho, por isso, estou afirmando que sou totalmente favorável que profissionais tenham seus momentos de descontração, brincadeiras, piadas e o que mais for parecido com isso, afinal, não é sadio ser pressionado a dar resultados o tempo todo sem poder rir um pouco e brincar com as coisas da vida. É claro que tudo ao seu tempo. E os Gestores tem a responsabilidade de mostrar isto aos colaboradores. Ele tem que ter o “termômetro” na mão.No entanto, muitos me questionam ao me posicionar desta forma se agindo assim não é arriscado perdermos o foco nas nossas atividades, a concentração, o respeito, virar indisciplina e baderna. Concordo que se não for bem administrado e a equipe de colaboradores não estiver suficientemente madura e consciente de suas responsabilidades, isso realmente pode acontecer. Para tanto, precisamos trabalhar bem em todos os níveis, desde os Gestores, quanto os colaboradores. Tem hora para tudo. Isto funciona dentro de casa também. Hora de brincar, hora de ouvir e prestar atenção, hora de falar… Disciplina não faz mal a ninguém, e é dentro de casa que mostramos aos nossos filhos os primeiros exemplos de limites, a palavra a qual estava procurando para melhor exemplificar esta questão. Limites.Entendemos que, como qualquer conduta desejada e valorizada, a nossa vida na Empresa também deva se normatizar com a prática do humor ou descontração, evitando abusos, os riscos citados acima e as tomadas de medidas proibitivas posteriormente.

Vamos a um exemplo prático, o do setor lojista. As lojas que vendem roupas para jovens têm em seus vendedores um perfil descontraído, despojado, alegre, mas apontado para o foco em seu negócio: vendas. Estas lojas tem um apelo visual, perfume, música, tudo de acordo com o negócio, com a proposição.

Pois é, Clientes compram mais em ambientes descontraídos, leves e com bom astral. Podem ter certeza. O clima ajuda muito, como o visual, como o humor das pessoas…

A coisa muda de figura quando falamos num escritório de contabilidade, por exemplo, que já vem de uma cultura de seriedade, sobriedade, de silêncio quebrado apenas pelas impressoras matriciais barulhentas (qual o escritório de Contabilidade que não tem pelo menos uma? Para formulário contínuo, não tem jeito, é barulho mesmo!!!!). E aí? Temos que dar o nosso famoso “jeitinho brasileiro”, criando momentos e ações de descontração sem perdermos nosso foco no negócio.

 

Como Consultor Empresarial tenho que manter a formalidade no vestir, mas a simpatia no falar, em conviver com pessoas nos primeiros contatos, no encantar a todo momento, em lidar com objeções, lidar com culturas diferentes a cada Empresa que entro… Mas poderia ser ao contrário? Só se muitos paradigmas da nossa cultura fossem quebrados, em que você vale pelo que aparenta. Como Consultor tem que ter uma postura.

 

Se você me perguntar como prefiro me vestir, eu vou afirmar que é de bermuda, camiseta e sandálias ou descalço que com roupas sociais, ternos, etc.  Mas nem na minha Empresa me permito isso. No máximo a informalidade da calça jeans, camisa e tênis nas sextas em que temos certeza de que não temos agenda a cumprir, mas sempre corremos o risco das visitas inesperadas. Por isso o plano B: sempre tenho guardado uma roupa social para estas ocasiões. Mas tudo isso faz parte da cultura na qual estamos inseridos, e isso influi no nosso humor. Que sensação gostosa de passear aos finais de semana sem compromissos de roupas, etiquetas, formalidades…

 

Mas, como toda moeda, temos os dois lados e é claro que não podemos radicalizar, pois sabemos que há segmentos do mercado de trabalho produtivo que a descontração deve ser pensada e repensada. Humor ou descontração não são sinônimos de bagunça ou imoralidade. É sério e muito sério. Podem ter acreditar.

 Mas seja um Gestor que sente no ar a satisfação, a alegria e o humor de quem está ao seu lado. Transponha barreiras na medida e na ocasião certa. Faça um desafio para sua equipe de colaboradores. Defina o dia da descontração, libere o uniforme, faça da sala do cafezinho um local para piadas, humor, etc. Pare por um momento para “curtir a descontração”, em alguém vai sugerir uma ginástica leve, contar um “causo” ou uma piada apropriada ao momento e ao ambiente. Pode ter certeza de que a coisas vão melhorar e os resultados serão outros.  

Mas, porém, todavia, contudo, se você acha que tudo que dissemos acima são frutos de pura loucura ou inovação demais, mantenha seus padrões, não está errado. Mas se está com dúvida, faça o teste e decida depois. E conte-nos o que fez, como fez, o que deu certo e o que deu errado, para que juntos, com diversos comentários e depoimentos, possamos compartilhar nossas aventuras ou desaventuras e assim construirmos um modelo de clima organizacional leve, alegre e bem humorado.

Andréas C. Hermann é Consultor Empresarial e de Negócios
Desenvolvimento de Soluções, Idéias e Serviços em RH andreas.hermann@grupoincorpore.com.br
   Roberta Ruschi é empresária e fotógrafa em Vitória, ES.