Pessoas são a base do crescimento econômico
Ralph Arcanjo Chelotti | Revista ESBrasil | Colaboração de Heloisa Bolzan
Pergunte aos cerca de um milhão de profissionais de Recursos Humanos que atuam no Brasil quais são os três
principais problemas que eles enfrentam nas empresas onde atuam. Entre as respostas que você vai ouvir, certamente
estará a preocupação com a baixa qualificação não apenas dos empregados, mas o preparo limitado das lideranças empresariais.
No Brasil, apenas 16% da população economicamente ativa têm alguma qualificação, contra 30% em países como :
México, Chile e Argentina e algo superior a 50% em países asiáticos como Singapura, Tailândia ou Vietnã.
A baixa qualificação do trabalhador brasileiro tem graves implicações para o crescimento das empresas e, portanto, para o futuro do
País. Em uma sociedade onde avançam os sistemas de informação, que exigem a compreensão de manuais e textos que ajudam as pessoas a
operá-los, a incapacidade de entender mensagens escritas torna-se um grave complicador ao desenvolvimento das pessoas nas empresas. E,
nesse campo, os indicadores no Brasil também não são bons, pois é sabido que cerca de 75% dos brasileiros que sabem ler têm ou dificuldades
de entender o que leem.
Esses dados tornam o dia adia dos gestores de pessoas nas empresas brasileiras um mar de problemas. Pessoas com baixa qualificação têm dificuldade em assimilar conceitos importantes acerca de produção limpa, ambientalmente responsável, bem como noções importantes sobre controle de desperdício e custos. Não bastasse isso, pessoas com
formação educacional precária raramente olham o amanhã e pensam e agem de modo imediatista, o que as impede de traçar um plano de vida ou carreira.
Não há pior cenário para um gestor de pessoas do que uma sociedade com baixos níveis educacionais, formação precária e a carência de
uma visão de longo prazo. Isso torna as relações no espaço de trabalho bastante mercantilizadas, um toma lá dá cá onde ninguém ganha, nem
a empresa, nem os empregados, muito menos a sociedade. Mas se por um lado, no que diz respeito aos trabalhadores, temos
todas essas deficiências, é fato que as lideranças empresariais, de modo geral, têm também graves problemas. Estudos de consultorias internacionais como o Boston Consulting Group, realizados com profissionais
de RH de 15 países, revelam que as lideranças empresariais, os gestores ou donos de empresas, também apresentam uma formação limitada e vivem isoladas, tomando decisões
com base em impulsos ou apenas pela fé de que determinada ação vai atingir certo objetivo.
Na ABRH-Nacional, notamos que além de investimentos em formação e qualificação de profissionais, o Brasil precisa voltar
seus olhos para as lideranças empresariais, criando espaços onde esses líderes possam melhorar suas capacitações e competências,
algo fundamental quando falamos da importância da transformação das empresas brasileiras para enfrentar um mundo cada
vez mais competitivo.
Ralph Arcanjo Chelotti é executivo de RH e Relacionamento Institucional, consultor, palestrante, professor acadêmico, presidente da ABRH-Nacional e vice-presidente da Federação Interamericana de Associações de Gestão Humana (FIDAGH).

