A dificuldade de entender o que os líderes falam. Enquanto um líder fala, seus liderados escutam. A equação parece simples. No entanto, o ato de “escutar” não significa, necessariamente, que a informação foi compreendida de maneira clara. Débora Brum, especialista em voz pelo Centro de Estudos da Voz, de São Paulo, revela que a maioria dos líderes empresariais pensa que sempre se comunica bem. Mas, segundo Débora, eles estão enganados. “Os funcionários enxergam várias dificuldades de comunicação dos líderes. Alguns destes gestores nem têm noção de que essas dificuldades possam existir”, afirma a especialista. E entender uma tarefa de maneira equivocada pode acarretar em grandes problemas para as companhias. “Já vi casos em que o projeto tomou um caminho completamente diferente daquele que o CEO desejava”, explica ela. Para Débora, a culpa pela interpretação errada da mensagem é de quem fala e não de quem ouve. ”Muitas pessoas são prolixas e não dão espaço para que os outros argumentem”. Acompanhe os principais trechos da entrevista concedida por Débora Brum. Qual a maior dificuldade dos executivos na hora de se comunicar com seus subordinados? A falta de clareza. Muitos líderes não têm consciência de que aquilo que eles falam não é entendido pelos seus subordinados. E estes líderes nem mesmo percebem que não estão sendo claros. Para se ter idéia, uma pesquisa feita com líderes empresariais afirma que os executivos sempre acham que se comunicam bem. E isso pode dificultar o andamento de um projeto? Sim. Acompanhei várias situações em que se criou ruído na comunicação entre o líder e a gerência. Muitas vezes um projeto vai para o caminho errado por causa de um erro de comunicação, já que o presidente da companhia disse uma coisa e o gerente encarregado entendeu outra. Hoje, isso é um problema principalmente para quem ocupa cargos de liderança. E como é possível reverter este processo? Com muito treino. Pessoas competentes e inteligentes não são, necessariamente, boas comunicadoras. Muitas desses líderes sabem bastante dos seus jargões, de sua linguagem técnica, mas nada sobre comunicação. Acredito que as companhias – sejam elas de grande, médio ou pequeno porte – devem investir em qualificar a comunicação dos seus colaboradores e líderes. (Marcos Graciani)
Sorria, seu e-mail será monitorado.A popularização da comunicação eletrônica coloca as empresas diante de um desafio cada vez mais árduo: o de manter informações estratégicas em segurança. Submersas em e-mails, mensagens instantâneas e blackberrys, as companhias se vêem cada vez mais vulneráveis ao vazamento de informações estratégicas ou ao ataque de hackers e de vírus. Como equacionar essa questão? Para as consultorias especializadas em segurança de TI, a resposta se resume a uma palavra: monitoramento. “As empresas estão começando a perceber que é preciso controlar o que os funcionários enviam e recebem durante o expediente, seja pelo e-mail corporativo, seja por mensagens instantâneas do MSN, do Messenger, etc”, afirma Francisco Camargo, presidente da CLM Software – companhia que distribui, no Brasil, as ferramentas de segurança da norte-americana Barracuda Networks. Camargo acredita que um controle rigoroso é essencial para evitar ameaças como o vazamento de informações estratégicas. “A espionagem, hoje, é bastante facilitada pelos meios de comunicação eletrônica. As empresas podem e devem controlar isso”, diz.Para fazer o monitoramento, porém, as companhias têm de jogar limpo com os funcionários. Avisá-los de que os e-mails serão verificados e filtrados é essencial. Além disso, é preciso seguir devidamente os mandamentos da legislação trabalhista. Recentemente, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) emitiu uma sentença que assegura às empresas o direito de observar o que os funcionários fazem com os e-mails e serviços de mensagens instantâneas – desde que esse controle seja exercido no local de trabalho. “Todos os empregados têm direito à privacidade. Mas esse direito não deve implicar o uso indevido de ativos do empregador”. (Andréas Müller) Mercosul vai importar mais produtos com baixa tarifa. Em reunião realizada na última sexta-feira, 20/6, em Buenos Aires, os países do Mercosul decidiram ampliar de 20 para 45 o número de produtos, inclusive agropecuários, que poderão ser importados de fora do bloco com tarifa de importação reduzida, de 2%. As compras serão limitadas por cotas e ocorrerão por tempo determinado, apenas quando houver desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos. No setor agropecuário pode ser incluído qualquer tipo de produto, como por exemplo, arroz, sardinha, trigo e insumos e defensivos agrícolas. Além disso, o processo de redução das tarifas ficou mais rápido. Agora, o prazo para a aprovação de inclusão de produtos é de 30 dias, caso não haja discordância entre os países. Antes, as propostas podiam ficar em apreciação por tempo indeterminado. O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto, do Ministério da Agricultura, acredita que a novidade permite ao setor privado recorrer a essa iniciativa com mais freqüência. No caso dos insumos agrícolas, por exemplo, o novo mecanismo poderá facilitar a diminuição de custos para os agricultores. “Com o aumento do número de produtos e com a agilização do processo, a nova medida abre uma perspectiva de que esse mecanismo seja usado para reduzir a alíquota de produtos de interesse para a agricultura brasileira”, afirmou. Em nota, a área técnica do ministério explicou que o pedido de redução da tarifa é feito pelo setor privado, por meio de uma solicitação formal ao Ministério da Fazenda, que coordena o Grupo Técnico de Acompanhamento da Resolução (GTAR), responsável pela análise dos pleitos. Depois de aprovada pelo GTAR, a demanda é encaminhada ao Ministério das Relações Exteriores, que a submete à Comissão de Comércio do Mercosul (CCM). Quando todos os países do bloco estiverem de acordo, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) edita uma resolução reduzindo a alíquota e fixando a cota para o produto solicitado. (Fabíola Salvador – Agência Estado)*