Saúde Doente
Hospital particular atende até em cadeira
A Gazeta | 19/03/2009 | Da Redação Multimídia
Demora no atendimento, emergência superlotada, pacientes internados recebendo medicação até em cadeiras. Realidade muito conhecida por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas os problemas acima foram relatados por usuários da Unimed que procuraram assistência no hospital do grupo, o Cias, em Vitória.
Desde a última segunda-feira a aposentada Dilzeth Alves Dias, de 65 anos, estava acomodada na enfermaria do hospital em uma cadeira popularmente conhecida como ‘poltrona do papai’, recebendo a medicação com soro na veia. Ela está com dengue e infecção urinária. Indignado com a situação, o marido da aposentada Sérgio Dias, conseguiu na tarde de ontem a transferência da esposa para um apartamento.
Indigente
“Ela paga mais de R$ 500,00 por mês e está jogada na emergência desde a última segunda-feira como uma indigente. Hoje, depois de muito sacrifício, consegui uma vaga em apartamento. Estou há duas noites sem dormir”, desabafa o aposentado.
Outra que vive o mesmo problema é a esposa do aposentado Paulo Roberto Pereira, internada com infecção na medula. Desde a última de terça ela aguarda por uma vaga em apartamento no mesmo tipo de cadeira. De acordo com Paulo, ainda há três pacientes na frente da mulher, na fila de espera. O aposentado se revolta ao dizer que nem as cartas de reclamação que envia para a Unimed não são respondidas.
“Minha esposa tem uma doença rara e precisa de atendimento especial. Toda medicação dela é feita na veia. Ela está super nervosa pois essa é a quinta vez que passamos pelo mesmo problema. Estou com medo dela pegar uma infecção mais grave ainda. Na enfermaria os pacientes estão misturados. Não se sabe o que eles têm”, relata Paulo.
A engenheira Cerli Salarolli deu entrada no pronto socorro do Cias às 9 horas de ontem apresentando todos os sintomas da dengue. Devido ao quadro ela teve que receber medicação na veia e ficar no soro. Após ser liberada, contou que a cena da enfermaria é deprimente. “Os enfermeiros não dão conta de atender aos pacientes. As salas estão todas superlotadas”. (Letícia Cardoso)
Sem vagas, Cias transfere pacientes
O diretor de Provimento de Saúde da Unimed Vitória, Márcio Oliveira Almeida, afirma que quando não há vagas disponíveis no Cias, os pacientes que estão no pronto-socorro e precisam de internação são transferidos para outros hospitais credenciados para atendimento aos usuários da Unimed.
“Os pacientes só ficam mais tempo quando insistem em ficar internados no Cias, por uma questão de proximidade com a residência ou preferência pelo atendimento. Não tenho informação de que alguém ficou mais do que algumas horas no pronto-socorro”, afirma Almeida.
Segundo médico são atendidos por mês, no pronto-socorro do Cias, cerca de 12 mil pessoas. Porém, cerca de 80% destes não necessitariam de consulta de urgência. “Deveriam procurar os consultórios médicos”, destaca. Ele salienta ainda que nos últimos meses aumentou a procura por atendimento para doenças como dengue e gastroenterite, mais comuns no verão. Em novembro o Cias atendeu 34 pessoas com suspeita de dengue. Em fevereiro o número passou para 308. (Daniela Carla)
Usuários vão a hospitais até para consultas simples
Surto de dengue, pessoas que deveriam procurar os consultórios médicos e mais usuários de planos de saúde. Essas situações estão lotando os pronto-socorros privados. O Sindicato dos Hospitais Particulares (Sindhes) reconhece o problema, mas afirma que não há prejuízo no atendimento.
“Qualquer surto acaba lotando os hospitais, mas ninguém fica no corredor. Para quem está passando mal, uma hora de espera é motivo de reclamação. Cada vez mais pessoas têm plano de saúde, o que aumenta a demanda por leitos” diz o presidente do Sindhes, Remegildo Gava Milanez.
Ele não forneceu números que apontem o aumento na quantidade de usuários, mas explicou que o Ministério da Saúde preconiza um leito de hospital privado para mil habitantes. “Na Grande Vitória há 500 mil usuários e mil leitos na rede privada.”
O diretor-clínico do Vitória Apart Hospital, José Monteiro de Souza Neto, destaca que a lotação ocorre porque muitos pacientes não marcam consultas. “As pessoas saem do trabalho para o pronto-socorro com problemas que poderiam ser resolvidos em consultório”, aponta.
A assessoria do Hospital Metropolitano informou que, por causa do surto de dengue, houve uma procura maior no pronto-atendimento e o número de internações aumentou. Na semana passada 96% dos leitos da unidade foram ocupados. A assessoria do Hospital Meridional disse que a falta de leitos foi agravada pelo surto de dengue. Além disso, muitos pacientes deveriam procurar primeiro os consultórios. (Daniela Carla)
Revolta
Dói muito passar por uma situação como esta. É uma realidade que dói, e muito, em nosso bolso”
Cerli Salarolli , Engenheira
Ela paga mais de R$ 500,00 por mês ao plano e está jogada na emergência do Cias como uma indigente”
Sérgio Dias , Aposentado

