Francisco Alberto Madia de Souza. Colaboração enviada por Heloisa Bolzan

“Raramente conhecemos alguma pessoa de bom senso além daquelas que concordam conosco”. La Rochefoucauld
Depois de dois anos de funcionamento, o maior empreendimento turístico do país, que ambicionava conquistar turistas de várias partes do mundo, e os turistas brasileiros das classes A e B, ainda apresentava um índice de ocupação, no mínimo, decepcionante – inferior a 40%. Por decorrência, empreendedores, acionistas e parceiros do projeto trocam acusações e lavam as mãos. Uma espécie de “Festival de Pilatos”. Com o tempo, os erros acabarão sendo superados, e Sauípe decolará porque o local é deslumbrante e aquele trecho do litoral baiano garantiu para si a condição de ponto central, de capital do turismo brasileiro. Mas não se deve esquecer a sucessão de erros, até mesmo para não repeti-los. De iniciativa do grupo Odebrecht, com a maior parte do capital injetado pelo fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Previ, e atraindo diferentes bandeiras internacionais para gerenciar os hotéis que fazem parte do megaresort, o Sauípe jamais demonstrou união e convergência entre seus diferentes players. O empreendedor se limitou a colocar o projeto em pé, o capitalista a injetar o dinheiro e os gerenciadores a cruzar os braços aguardando que os turistas descobrissem, naturalmente, as virtudes e qualidades que verdadeiramente Sauípe possui. Como até hoje esse tipo de milagre ainda não aconteceu – de conhecimento e maturação espontânea de um formato absolutamente novo para o país – deixou-se de realizar uma receita substancialmente maior do que a alcançada nesses dois primeiros anos, aumentando o prazo de maturação do empreendimento em duas ou três dezenas de meses. Os que se aventuraram a visitar o complexo nesses primeiros dois anos, mais que decepcionados, voltaram tristes de ver uma obra daquela dimensão, de importância única para o desenvolvimento do turismo em nosso país, na condição de órfã – sem pai, nem mãe, abandonada e inconclusa. Pior ainda, de players negligentes que se fizeram de cegos diante da sazonalidade de fluxos do turismo interno em nosso país, adotando uma política de preços arrogante e burra – a pior combinação que pode existir. Agora, e no balanço de dois anos, o festival de lavar as mãos é generalizado. A Odebrecht, exercendo o direito de uma das cláusulas de seu contrato com a Previ, devolveu os 8% que possuía do empreendimento. Marriott e Enaissance, nas palavras de seu gerente geral Eduardo Reple, à revista Carta Capital, atribui a baixa ocupação ao câmbio, 11 de setembro, e crise nas companhias aéreas. E Xavier Veciana, sugerindo arrependimento do SuperClubs, afirma, “Não creio que seja o melhor modelo para o Brasil”, anunciando sete novos projetos em nosso país, em sete diferentes locais e, agora, de forma isolada. O America (SP), primeiro supermercado do país, durante anos ficou cheio do lado de fora e vazio por dentro, simplesmente porque as pessoas não acreditavam – por questões culturais – ser possíveis comprar numa loja onde não existiam vendedores. O Iguatemi de São Paulo, primeiro Shopping Center do Brasil, ficou quatro anos às moscas, porque as pessoas – por questões culturais – só estavam acostumadas a comprar em lojas de rua. Assim, todos os players do Sauípe não deveriam esperar que o milagre acontecesse, e muito menos, ter superestimado e antecipado suas expectativas. Até porque, e como nos ensinam nossos antepassados, é sempre importante rezar, mas não deixar de preparar o terreno, plantar a semente, “fazer pajelança”, ou seja, comunicar direito, e só então contar com um empurrãozinho da natureza comparecendo com a providencial e indispensável chuva, ou, de forma mais simples e objetiva, “Deus ajuda quem cedo madruga”. Agora, não madrugar e ainda ficar reclamando e lavando as mãos, aí é demais, mesmo. Francisco Alberto Madia de Souza, Diretor Presidente do MadiaMundoMarketing – espaço empresarial de Marketing. Colaboração enviada por Heloisa Bolzan, Especialista em BPF em Vitória, ES.